75% dos bancos aumentarão o investimento em tecnologia de risco perante uma perspetiva económica incerta
A incerteza económica mundial, marcada pelo aumento das taxas de juro, pelas tensões geopolíticas e pela inflação, está a obrigar o sector bancário a repensar as suas estratégias de gestão de risco. Neste contexto, um novo estudo do SAS, líder global em dados e inteligência artificial, e da FT Longitude, revela que 75% dos bancos a nível mundial pretendem aumentar o investimento em infraestruturas de tecnologia de risco, o que representa um aumento de 24% face a 2021.
A mesma tendência se verifica em Portugal. Entre 2021 e 2023, as despesas com tecnologia da informação nos bancos portugueses aumentaram, em média, 13% ao ano. Este crescimento é impulsionado pela necessidade de modernizar infraestruturas, melhorar a experiência do cliente e reforçar a cibersegurança, de acordo com o relatório de estabilidade financeira do Banco de Portugal.
Existem várias razões para justificar a aceleração da transformação digital no setor bancário. Para começar, a pandemia marcou um ponto de viragem, uma vez que as pessoas começaram a exigir serviços mais rápidos, acessíveis e personalizados. Além disso, o aparecimento dos neobancos e das fintechs intensificou a concorrência no setor financeiro, levando as instituições tradicionais a redefinir os seus modelos de operação.
"Estas startups introduziram inovações disruptivas que estão a transformar a forma como os utilizadores interagem com os serviços financeiros, obrigando os bancos tradicionais a investir em tecnologia para se manterem relevantes e competitivos", afirma Sandra Pisco, Business Solutions Specialist, Risk Management no SAS “Por outro lado, as regulamentações europeias também desempenham um papel crucial neste processo. Diretivas como a NIS2 e a DORA exigem sistemas robustos, capazes de lidar com riscos tecnológicos e cibernéticos.”
Por fim, as recentes alterações geopolíticas e climáticas acrescentaram uma camada de complexidade ao panorama económico global. A necessidade de gerir estes riscos externos está a impulsionar investimentos significativos em ferramentas tecnológicas que permitem às instituições financeiras antecipar potenciais adversidades e reforçar a sua resiliência às forças externas.
Carlos Díaz Álvarez, Diretor de Risco do Santander Portugal, destaca: “Para tomar decisões acertadas sobre liquidez, capital e risco de crédito, os bancos não devem trabalhar com informação isolada. Precisamos de integrar todos os dados disponíveis para obter um panorama completo, mas precisamos que estes dados sejam mais precisos e mais bem conectados.”
A inteligência artificial como motor da mudança
A IA e a IA generativa surgiram como ferramentas essenciais para transformar a gestão de riscos. Embora a adoção continue a ser desigual, o relatório Transforming Risk Management, que entrevistou 300 gestores seniores de risco bancário de 25 países, destaca que os bancos dos EUA estão a liderar o caminho na utilização destas tecnologias, enquanto os bancos europeus estão a avançar sob quadros regulamentares mais rigorosos que garantem a privacidade e a segurança dos dados dos clientes.
Em Portugal, a tendência de adoção da inteligência artificial (IA) na área de gestão de risco bancário é claramente ascendente, embora ainda marcada por moderação e cautela. Os bancos portugueses estão a reconhecer o potencial transformador da IA, mas enfrentam desafios estruturais e regulatórios que influenciam o ritmo da adoção.
Os planos dos bancos, em números
O painel de dados do SAS permite aos utilizadores explorar as conclusões do estudo por tipo de instituição e dimensão dos ativos, destacando cinco conclusões do estudo:
- Aumento do investimento em tecnologia: 65% dos bancos planeiam contratar serviços de consultoria tecnológica, mais 15% do que em 2021.
- º Modelos de risco avançados: 67% dos bancos planeiam melhorar os seus modelos nos próximos dois anos, considerando-os uma vantagem competitiva fundamental. Além disso, a percentagem de executivos que consideram os modelos de risco uma vantagem competitiva aumentou para 63%, mais 16 pontos do que no relatório anterior.
- º Uso estratégico da IA: Relativamente ao uso da IA (incluindo a IA generativa), os números indicam que continua a ser misto, apesar da grande promessa e potencial. Apenas uma minoria de bancos reporta uma utilização generalizada de IA para funções como a gestão de risco (40%), a modelação de risco (30%) e a deteção de fraude (36%). A utilização do GenAI para estas funções diminui ainda mais, com 17%, 16% e 24%, respetivamente. Os bancos dos EUA superam os seus equivalentes da EMEA e da APAC na utilização de IA e GenAI para cada uma destas funções. A falta de talento qualificado é a principal barreira à adoção total da IA, referida por 50% dos inquiridos em todas as regiões.
- Gestão eficaz dos dados>: embora as bases de dados robustas permitam uma melhor gestão de riscos, uma melhor experiência do cliente e deteção de fraudes, apenas 14% dos bancos planeiam unificar totalmente os seus dados.
- º Modernização dos sistemas de ALM: 77% dos bancos planeiam investir em sistemas integrados de gestão de ativos e passivos para fazer face aos riscos de liquidez e de taxas de juro.
Sandra Pisco explica: "As instituições financeiras já não se podem dar ao luxo de lidar com os riscos de forma isolada. Precisam de um sistema unificado, alimentado por inteligência artificial, que lhes permita visualizar todos os riscos em conjunto e agir rapidamente. As empresas que substituírem os seus sistemas legados por uma abordagem mais integrada, alimentada por IA, verão melhorias em todas as áreas da organização."
Por outro lado, afirma ainda que, "Olhando para o futuro, espera-se que os bancos portugueses continuem a investir em tecnologias que permitam uma maior flexibilidade e agilidade na análise de cenários, integrando previsões macroeconómicas e riscos externos para otimizar a tomada de decisões estratégicas. Além disso, a redefinição dos processos de gestão de modelos de risco será essencial para reduzir custos e acelerar a implementação de soluções inovadoras."
Encontre aqui o relatório completo do SAS e da FT Longitude para descobrir como os bancos estão a transformar a gestão de riscos.
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