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| Melhor prevenir...
Para atender exigências do novo modelo do setor elétrico, a Cemig decidiu refinar suas previsões de demanda de energia e adotar um sistema para obter exatidão e flexibilidade Depois de enfrentar o racionamento, em 2001, as empresas de energia elétrica se depararam com o desafio de adaptar-se ao novo modelo para o setor, instituído pelo Governo Federal, em março de 2004. Um dos pilares desse desenho são as regras para a compra de energia pelas distribuidoras, que exigem altíssimo nível de acurácia nas previsões de carga. Para aumentar a exatidão de suas previsões, a área de distribuição da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) optou por adotar um sistema completo de projeção de demanda, combinado a uma ferramenta que torna homogêneas as informações obtidas em diferentes bases de dados. Em maior ou menor grau, todas as distribuidoras brasileiras precisaram aperfeiçoar o processo de elaboração das previsões, tendo em vista o novo modelo para o setor elétrico. A partir de uma diretriz estratégica da diretoria para que a empresa se adequasse da melhor forma às novas regras, as equipes técnicas da Cemig analisaram as ofertas disponíveis no mercado mundial e indicaram a solução do SAS, hoje em fase final de implementação. Flexibilidade De acordo com Agostinho Faria Cardoso, superintendente da Assessoria de Compra e Venda de Energia no Atacado da Cemig, o desenvolvimento interno nunca foi uma opção. “Acreditamos que cada empresa tem sua expertise. A nossa é distribuir energia. O SAS conta com centenas de profissionais, como engenheiros e matemáticos, que se dedicam a construir sistemas especializados, ou seja, certamente, eles estão mais a par dos avanços nessa área e podem fornecer a melhor metodologia e o melhor sistema de projeção.” Para as previsões de carga de energia de médio e longo prazos, são utilizados indicadores do desempenho da economia, como o PIB (produto interno bruto) nacional, densidade populacional e expectativa de vendas no comércio. Nas de curto e curtíssimo prazos, são levados em conta o comportamento regular dos consumidores, aspectos sazonais e previsões meteorológicas, além de eventuais condições emergenciais. A partir de todas essas variáveis, o sistema SAS High-Performance Forecasting (HPF) elabora diversos cenários e faz a projeção das respectivas necessidades de energia em cada um deles. Para isto, o sistema combina vários recursos tecnológicos avançados, como redes neurais, modelos de séries temporais, árvores de decisão, entre outros. Segundo o superintendente da Cemig, uma das principais vantagens do SAS HPF é a sua extrema flexibilidade. “O sistema não é uma caixa-preta. Podemos montar vários cenários e mudá-los conforme modifiquem-se as condições econômicas ou ambientais, por exemplo, e na medida em que fazemos as compras”, diz. “Além disso, ele é bastante amigável. É fácil para os nossos analistas organizarem os dados, alterá-los ou fazer consultas; enfim, interagir com o sistema é muito simples.” Faria Cardoso destaca também o trabalho de consultoria. “Durante os oito meses do projeto, especialistas do SAS trabalharam em conjunto com nossos profissionais. O resultado foi um sistema totalmente parametrizado para previsão de carga de energia e também customizado para os tipos de arquivos utilizados pela Cemig”, explica. Paralelamente, a equipe da distribuidora passou por treinamento de modo a explorar todas as potencialidades do SAS HPF. Segurança e Credibilidade Para alimentar o sistema de projeções, a Cemig utiliza diferentes bases de dados, internas ou externas, como a da Câmara de Comércio de Energia Elétrica, instituição responsável por intermediar a compra de energia entre geradoras e distribuidoras. Para assegurar-se de que os dados são os mais atualizados e eliminar eventuais conflitos entre eles, a Cemig usa o sistema de datamining Enterprise Miner, também do SAS. “O SAS Enterprise Miner transforma os dados escritos em diferentes linguagens e diversas bases de dados em informações confiáveis que podem ser manuseadas com segurança”, conta o superintendente. “Não adiantaria termos um excelente sistema de projeção se ele fosse fundamentado em dados incorretos.” De acordo com Faria Cardoso, foi muito importante, no processo de escolha, o acesso que os técnicos da Cemig tiveram à base de testes do SAS e aos clientes que já usam os sistemas. O superintendente comenta ainda que o fato de o SAS ser continuamente apontado, ao longo dos anos, como uma das melhores empresas para se trabalhar, foi um dos fatores que colaborou para a decisão. Mudança de Perfil Logicamente, previsões de carga de energia nunca foram novidade para a Cemig. O setor elétrico sempre trabalhou com dois grandes horizontes de previsão: o de longo prazo, necessário para viabilizar o planejamento da construção de usinas geradoras, e o de curtíssimo prazo, dependente de variáveis sobre as quais não é possível ter controle, como mudanças súbitas de temperatura. Nas distribuidoras, as projeções chegam ao requinte de serem diárias e até mesmo feitas hora a hora. São as previsões de curtíssimo prazo, cujo exemplo clássico, no Brasil, é o dos dias de jogos da Copa do Mundo de futebol. Como explica o superintendente da Cemig, durante o jogo, o consumo é baixo, basicamente o dos televisores ligados. Assim que o jogo acaba, há um aumento fortíssimo – e simultâneo – da demanda, o denominado efeito “rampa de subida”. Se projeções não eram uma atividade inédita, o que mudou? O novo modelo para o setor elétrico desenhou um ambiente mais competitivo, em que a previsão de carga se tornou fator absolutamente crítico para as distribuidoras. Isto porque a compra de energia passou a ser feita exclusivamente por meio de leilões, com base no critério do menor preço. Antes da realização de cada leilão, as distribuidoras têm de enviar ao Ministério de Minas e Energia as previsões de cargas para três cenários: início de fornecimento após cinco anos da contratação, três anos e um ano. Os ajustes na demanda e no consumo de energia são feitos nos leilões de curtíssimo prazo, cujos preços são mais altos do que os dos leilões regulares. As previsões de carga com cinco anos de antecedência têm por objetivo permitir ao governo o planejamento para licitações de novas usinas geradoras. Esses empreendimentos necessitam de um horizonte de planejamento bastante amplo, que se estende a até 20 anos. Bom para acionistas e consumidores A exatidão das previsões é vital porque a lei prevê que a distribuidora utilize 100% da energia que contratou, e as margens de variação permitidas são bem pequenas. Na prestação de contas anual à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), caso a empresa tenha feito uma compra inferior em mais de 4% à energia distribuída, poderá incorrer em penalidades. O objetivo do governo, nesse quesito, foi estabelecer regras para assegurar que não falte energia. No caso inverso, ou seja, se a distribuidora comprar energia a mais, ela somente pode repassar esse custo às tarifas se a margem de erro for de até 3%. Se tiver adquirido energia em um percentual acima deste, a distribuidora deve arcar com os custos sem transferi-los ao consumidor. Com essa regra, o governo quis garantir a menor tarifa possível. Portanto, em quaisquer dos casos – compras a mais ou a menos –, previsões mal feitas se traduzem em prejuízo para os acionistas. Por esse motivo, embora o sistema anterior funcionasse a contento, com um nível baixo de erros, a Cemig considerou que precisava aumentar ainda mais a qualidade e a acurácia de suas projeções. Hoje, segundo o superintendente da Assessoria de Compra e Venda de Energia no Atacado, a Cemig dispõe de um sistema com uma ótima relação custo/benefício. “Quanto mais acertamos e quanto maior for a antecedência, maior também a chance de ter energia mais barata e menor o risco de falta”, comenta. “Isso é essencial para a Cemig, que baseia sua atuação no respeito a seus acionistas e consumidores.” Desenvolvimento sustentável A Cemig é uma das duas únicas empresas brasileiras (a outra é a holding Itaú) a integrar o seleto Índice Dow Jones de Sustentabilidade (Dow Jones Sustainability World Indexes, ou DJSI World) desde que ele foi criado, em 1999. O DJSI World premia empresas de acordo com os princípios do desenvolvimento sustentável, ou seja, por sua capacidade de criar valor para os acionistas, aproveitar as oportunidades e gerenciar os riscos associados aos fatores econômicos, ambientais e sociais. Do DJSI 2004/2005, divulgado em setembro do ano passado, fazem parte 318 companhias de todo o mundo, selecionadas em um levantamento que abrangeu 2.500 empresas de 60 ramos industriais em 34 países. A seleção leva em conta o desempenho financeiro e, principalmente, a qualidade e a melhoria contínua da gestão empresarial, que deve integrar as atuações ambiental e social como forma de sustentabilidade no longo prazo. Rentabilidade e investimentos A Cemig gerencia a maior rede de distribuição de energia elétrica da América Latina e uma das quatro maiores do mundo, com mais de 359 mil quilômetros de extensão. Atende a aproximadamente 96% do Estado de Minas Gerais, o que abrange uma área de 560 mil quilômetros quadrados. A base de clientes ultrapassa a marca de 17 milhões de pessoas, em 774 municípios. A distribuidora possui 46 usinas de geração, cinco delas em sistema de parcerias com grupos empresariais, na sua maioria hidrelétricas. Fundada em 22 de maio de 1952, a Cemig atua na geração, transmissão e distribuição de energia elétrica para o segundo mercado consumidor do país, em que estão instaladas algumas das maiores empresas nas áreas de siderurgia, mineração, automobilística e metalurgia, como a Usiminas, Belgo Mineira, Fiat Automóveis, Mercedes Bens, Companhia Vale do Rio Doce, Açominas e outras. Em 2004, o faturamento bruto da Cemig foi de R$ 8,5 bilhões, o que representou aumento de 19,3% em relação ao ano anterior. O lucro em 2004 foi de R$ 1,385 bilhão. Os investimentos da Cemig, no ano passado, alcançaram R$ 1,051 bilhão, 16% acima de 2003. Os maiores volumes de investimentos foram destinados às áreas de geração, com R$ 687 milhões, e de distribuição de energia elétrica, com R$ 222 milhões. |
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