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Liderança responsável

Durante o Fórum Econômico Mundial, Jim Goodnight criticou o modelo de aquisições utilizado atualmente por companhias abertas e defendeu a condução de negócios com mais responsabilidade


Jim Goodnight, fundador e CEO
do SAS Institute
Longe do pessimismo que tomou conta de executivos durante a versão latino-americana do Fórum Econômico Global, realizado no Rio de Janeiro, em abril deste ano, o CEO e fundador do SAS Institute, Jim Goodnight, demonstrou tranqüilidade, a mesma que pontua seu estilo calmo, observador e de olhar crítico no presente e futuro. Experiente, Goodnight participa como palestrante no Fórum Econômico Mundial, discutindo temas que abordam padrões internacionais, regulamentações e economia globa, na América Latina, África, Ásia e Índia.

Rigor de quem tem participação ativa na sociedade, o CEO do SAS em seu discurso defendeu uma visão corporativa mais humana e responsável para driblar as reviravoltas financeiras. Segundo ele, muitos líderes assumem uma atitude cruel na política de cortes de pessoal para reduzir despesas, inclusive durante os processos de fusões e quisições.

Retórica

Diante de uma platéia com mais de 500 lideranças empresariais da América Latina e representantes de governos, apesar da serenidade ao falar, Goodnight mostrou firmeza na defesa de que o ser humano é a força motriz para a geração de resultados positivos nas organizações. Incisivo, o CEO do SAS discordou da forma como muitas corporações conduzem os processos de aquisições, modelo predatório para profissionais e para a evolução da tecnologia. Ele acredita que demitir funcionários para equacionar os desequilíbrios financeiros nem sempre é a melhor resposta. Educação também é outra obstinação do CEO, que fundou o SAS a partir de sua tese de doutorado em Estatística pela Universidade Estadual da Carolina do Norte.

Essa atmosfera acadêmica é algo que o dirigente diz preservar tanto na sede da empresa, em Carolina do Norte, quanto em ações de apoio ao ensino nos Estados Unidos. A empresa também mantém o patamar histórico de investimentos anuais em P&D na ordem de 22%, o que equivale, este ano, à cerca de US$ 400 milhões. Tudo na dose certa Jim Goodnight tem por hábito, uma vez por semana, distribuir chocolate confeitado M&Ms na sede da corporação. As calorias dos funcionários são perdidas na academia de ginástica, nas dependências do prédio. O Brasil segue a mesma prática de consumo de chocolates semanalmente. Característica de líderes de TI, as aquisições também estão no cardápio do fundador do SAS. Entretanto, na visão dele, a compra de outras empresas deve estar atrelada às soluções que integrem o portfólio da empresa e preservem o capital tecnológico e humano. Não por acaso, Goodnight colaborou na redação do artigo "Gerenciando a Criatividade", do autor Richard Florida, publicado na Harvard Business Review (Julho - Agosto 2005).

O tema confirma que as empresas prosperam quando fazem o melhor uso de seu "capital criativo", ou seja, pensadores criativos cujas ideias agregam valor a produtos e serviços. Empreendedor O CEO do SAS não descarta a possibilidade de adquirir outras empresas do setor, a exemplo do que já ocorreu no ano passado, quando o SAS incorporou algumas companhias, a exemplo da Teragram e IDeaS. E, complementa, "o SAS não está à venda, como preconiza o mercado". A consolidação do setor acabou facilitando a vida do SAS, que ficou isolado na competição pelo disputado mercado de soluções de BI, segmento que, segundo o Gartner, continuará concentrando em 2009 grande parte dos investimentos na área de TIC.

Diante desse cenário, o DNA inovador da corporação será mantido sempre calcado em pesquisa e desenvolvimento, refletindo o jeito de quem não abre mão de seu projeto de vida e não mede esforços para torná-lo real, conduzindo diariamente uma orquestra de aproximadas 12 mil pessoas com maestria. "Inovação é a chave para o sucesso do negócio.Todas as tardes, 95% dos meus ativos saem pelos portões da companhia e é meu trabalho manter um ambiente que façam essas pessoas voltarem todas as manhãs. Esse é o nosso diferencial competitivo", conclui.

Paixão pela academia transformada em negócio

Jim Goodnight, fundador e CEO do SAS Institute, líder mundial em software de inteligência analítica, está no comando desde a fundação da empresa em 1976. Empreendedor, o executivo tem obtido resultados constantes em crescimento e inovação, um feito pouco comum na indústria de software.

Doutorado em Estatística pela Universidade Estadual da Carolina do Norte, onde foi membro no período de 1972 até 1976, Goodnight e um grupo de colegas da Universidade Estadual de Carolina do Norte criaram o software que originou o SAS. O propósito era analisar dados de pesquisas agrícolas. Três décadas depois, as soluções da empresa estão alcançando resultados nunca imaginados pelo seu criador.

Em 2004, a Escola de Negócios de Harvard nomeou Jim Goodnight como um dos "Grandes Executivos Americanos do Século XX" por suas três décadas à frente de um negócio que mudou o modo como os americanos viveram, trabalharam e interagiram no último século. Com sólido reconhecimento em inovação - 22% da receita de 2008 foram reinvestidos em Pesquisa e Desenvolvimento -, o SAS está entre as maiores empresas privadas de software e pela sua reconhecida cultura corporativa é destaque do programa "Best Place to Work" e do ranking da revista Fortune.

Veja a íntegra desta matéria na
edição 13 da revista SASCOM

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SASCOM - Edição 13 - 2ºQ/2009
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